Debate abre discussão sobre futuro do Maracanã; Veja as imagens

O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, com o apoio da Faculdade de Serviço Social da UERJ, realizou nesta terça-feira (25) o debate “O Maraca é Nosso?”. A iniciativa pretende iniciar uma ampla discussão com o objetivo de construir um projeto alternativo para o estádio, de caráter popular e sob gestão pública. Na mesa estiveram Erick Omena (IPPUR/UFRJ), Chris Gaffney (EAU/UFF) e Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN. O debate foi mediado por Gustavo Mehl, membro do Comitê.

A noite foi aberta com a apresentação de dois curtas: “Geral”, que retrata os últimos dias da Geral do Maracanã, e “Aldeia Maracanã”, sobre a ocupação do prédio histórico do antigo Museu do Índio, que é vizinho ao estádio e corre risco de ser demolido para a Copa do Mundo. Após a exibição, Carlos Tucano, representante dos indígenas, deu seu depoimento sobre a atual situação do grupo no local, que tem convivido com as ameaças do Governo do Estado.

O debate teve início com a apresentação de Erick Omena, que fez uma recuperação histórica e mostrou que o Maracanã foi concebido como um estádio popular, muito diferente do processo de elitização que vem acontecendo nos últimos anos, com o encarecimento do ingresso e a diminuição de sua capacidade. Erick mostrou também que não é a primeira nem a segunda vez que tentam privatizar o Maracanã, desconstruindo a ideia de que a concessão para Eike Batista é inevitável.

Já Chris Gaffney utilizou muitas imagens para mostrar o quão magistral era o estádio, que se tornou um mito em todo o mundo. Segundo ele, o Maracanã como conhecemos já não existe mais. Sua destruição aconteceu com a atual reforma, eliminando importantes características como a marquise e as divisões entre arquibancada, cadeira e geral. A série de reformas que se iniciou em 1999 já consumiu mais de um bilhão de reais dos cofres públicos. Chris esteve no último jogo antes do fechamento e viu o apagar das luzes de um Maracanã que não vai mais voltar.

Com a experiência de já ter conhecido estádios em todo o mundo, Mauro Cezar Pereira trouxe para o debate propostas sobre o que pode ser feito para que esse Novo Maracanã seja mais popular. Segundo ele, com ingressos mais baratos, todos os jogos poderiam ter casa cheia, beneficiando clubes e torcedores. Isso deveria ser uma política dos clubes, que atualmente fazem apenas promoções pontuais. Sobre a Copa do Mundo, o jornalista foi taxativo: o Brasil não precisa do evento da forma que foi proposto, com estádios caros e que serão elefantes brancos em cidades que sequer possuem equipes na terceira divisão nacional.

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