NOTA PÚBLICA – A vitória final ainda está por vir: por um Maracanã Público e Popular

O momento é de comemoração. Após mais de dois anos de luta contra o custo das reformas, a elitização, a privatização, as ilegalidades do processo e as demolições previstas para o Complexo do Maracanã, as vitórias começam a aparecer.

A permanência do Parque Aquático Julio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e da Escola Friedenreich, bem como a retomada da Aldeia Maracanã por indígenas que defendem aquele espaço desde 2006 são resultados do esforço e da valentia de muitas pessoas e grupos que foram às ruas e lutaram por direitos e por uma cidade mais justa. Estamos todos em comemoração!

Mas é preciso lembrar: temos que seguir atentos e fortes. O momento é ainda de muita luta. A reação do consorcio Maracanã S/A, que soltou nota afirmando que “permanece à frente da concessão do Maracanã e que vai encontrar uma alternativa à sua viabilização e continuidade”, é uma afronta ao sentimento de todos os brasileiros que questionam o absurdo contrato de privatização.

O Maracanã, que nunca deixou de ser um símbolo nacional em função do futebol e da participação popular, nos últimos tempos serviu como modelo máximo de uma política excludente, sem transparência e corrupta. As seguidas reformas, que consumiram quase dois bilhões de reais, e sua venda por migalhas (o consórcio pagaria R$ 5,5 milhões por ano ao governo para lucrar por 35 anos com o estádio) não passaram despercebidos, como talvez imaginassem o governador Sérgio Cabral e o secretário da Casa Civil Régis Fichtner.

Também não passaram despercebidas as ilegalidades do processo de privatização, que é questionado na Justiça. Os casos se acumulam: o favorecimento à empresa IMX, de Eike Batista, que preparou o edital de concessão no qual ela mesmo concorreu e ganhou; a farsa da “audiência pública” em novembro de 2012; e o valor pago, que não recupera nem 15% do que foi investido em reformas. A população está atenta e cobra um Complexo do Maracanã público e popular.

Não podemos entender as últimas notícias como a devolução definitiva do Complexo do Maracanã para o povo. O governo do estado foi forçado pelas ruas a abrir mão das demolições, mas ainda se esquiva da anulação da privatização. E, naturalmente, os empresários que se pensam donos de todo aquele espaço vão seguir uma administração que tem somente a perspectiva de fazer altos lucros.

É fundamental a manutenção do pleno uso público do Complexo do Maracanã. Não basta a não-demolição do Julio Delamare e do Célio de Barros, queremos um parque aquático e um estádio de atletismo que sirvam exclusivamente ao esporte, à saúde, ao bem-estar e à educação da população, com o fortalecimento de projetos sociais que atendam a pessoas de todas as faixas etárias. Não podemos deixar que o governo e os empresários tenham a audácia de querer transformá-los em clubes exclusivos e pagos.

Não basta a não-demolição da Friedenreich: a prefeitura deve manter os altos padrões de ensino ali realizados pelos professores e gestores e ouvir as demandas de todo o corpo de funcionários e dos pais de alunos que bravamente defenderam a escola. O mesmo serve para a Aldeia Maracanã, onde as decisões e soluções para o espaço devem ser feitas atendendo aos grupos indígenas que ali formaram uma das histórias mais valentes de resistência e convivência cultural que a cidade já viu.

Não basta, ainda, um ginásio do Maracanãzinho que seja transformado em uma casa de espetáculos de luxo. Sua função é fundamentalmente esportiva, com o treinamento de atletas de alto rendimento e de projetos sociais de inclusão através do esporte, servindo também a eventos de caráter público.

Exigimos a assimilação do Complexo do Maracanã como uma das principais áreas públicas da cidade. Exigimos que o governo entenda que este é um espaço que deve servir prioritariamente ao esporte, à saúde, à cultura, à educação, ao lazer e ao bem-estar do povo carioca. Exigimos que o complexo seja compreendido de forma integrada com os equipamentos públicos e privados do entorno, como a UERJ, a Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional, as quadras das escolas de samba, o estádio de São Januário, a Feira de São Cristóvão e o Parque Glaziou, cuja instalação ao lado do Maracanã deve ser retomada pelo governo.

Exigimos, por fim, que o histórico Estádio Mario Filho, após ser descaracterizado de forma criminosa, possa receber novamente todo torcedor brasileiro, independente de poder aquisitivo ou classe social. A magia do estádio do Maracanã, legado de inúmeras gerações que pisaram naquele lugar, só poderá ser resgatada se ele for novamente entregue à população, com a reativação de amplos setores populares que devem ter preços acessíveis fixados de acordo com o salário mínimo, além de cadeiras removíveis, como forma de ampliar a capacidade do estádio e permitir as manifestações festivas e as coreografias que sempre caracterizaram os jogos no Maracanã.

A não assimilação destas demandas populares é a sinalização de que a mobilização pelo Maracanã deve continuar com força máxima. A rua é nosso lugar e de lá não sairemos até a vitória completa. Governo do estado, Odebrecht, IMX e AEG devem ter consciência disso.

Pela anulação imediata da privatização do Maracanã!
Por um Maraca Público e Popular!
O MARACA É NOSSO!!

Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2013.

Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro

Ato dos Atletas Contra a Demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros: 31 de janeiro, 18h

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No dia 9 de janeiro, sem nenhum aviso prévio, o Célio de Barros amanheceu com as portas trancadas. Centenas de atletas tiveram que voltar pra casa sem sequer ter acesso a seus materiais de treinamento e ficaram sem lugar pra treinar, improvisando do jeito que foi possível. Projetos sociais de iniciação ao esporte ficaram paralisados. Competições e eventos estão suspensos.

O Estádio de Atletismo Célio de Barros, no Maracanã, é o MAIOR TEMPLO DO ATLETISMO BRASILEIRO e sempre serviu ao Esporte e à população. O governo pretende DEMOLIR nossa casa de forma autoritária, sem diálogo conosco, atletas que treinamos e competimos lá. Situação parecida acontece no Parque Aquático Julio Delamare, na Escola Municipal Friedenreich e no prédio histórico do antigo Museu do Índio. A intenção é entregar todo o Complexo do Maracanã de bandeja para um empresário construir no local um estacionamento e um shopping, como forma de garantir grandes lucros com a administração do Maraca.

É hora de mostrarmos que não aceitamos isso! SOMOS CONTRA A DEMOLIÇÃO DO CÉLIO DE BARROS e exigimos mais incentivo ao esporte! Se o governo é capaz de demolir o Célio de Barros, pode amanhã desativar qualquer outro dos poucos espaços de atletismo que temos no estado.

Convocamos todos a participarem do ATO DOS ATLETAS CONTRA A DEMOLIÇÃO DO CÉLIO DE BARROS, que acontecerá no dia 31 DE JANEIRO em um auditório a confirmar, no Rio de Janeiro*. Estarão presentes heróis do atletismo brasileiro de ontem e de hoje. Vamos apelar à Presidência da República, ao Ministério dos Esportes e ao COB, e alertar o COI, a IAAF, a FIFA e a imprensa internacional. PAÍS QUE RESPEITA O ESPORTE E QUE VAI SEDIAR OS JOGOS OLÍMPICOS NÃO PODE DEMOLIR SEU PRINCIPAL ESTÁDIO DE ATLETISMO!

É importante a presença de todos! Divulgue entre seus colegas de treinamento, nos clubes e equipes. Vamos mostrar que nós, atletas, temos voz!

*O ato será em local no Centro ou na região do Maracanã. O local exato será divulgado pelas redes sociais e pelos sites: rio.portalpopulardacopa.org.br e http://www.atletismorio.com.br

Realização:

. Coletivo de Atletas e Treinadores do Célio de Barros

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NOTA PÚBLICA sobre o MARACANÃ: Plebiscito e Museu do Índio – um alento e uma ameaça

Foto: André Mantelli

O pedido de plebiscito sobre a concessão do Maracanã à iniciativa privada, encaminhado ontem à mesa diretora da ALERJ com a adesão de 33 deputados, é uma consequência evidente da mobilização popular contra este processo arbitrário de privatização, demolição e mau uso do dinheiro público que o governo do estado conduz, com indícios claros de favorecimento a determinados grupos empresariais. Foi fundamental, neste sentido, a demonstração de descontentamento de diversos grupos e das mais de 500 pessoas que semana passada lotaram o galpão onde o governo tentou realizar uma falsa audiência pública, que não pretendia colocar em discussão a gestão do Complexo do Maracanã, mas simplesmente legitimar um projeto que não levou em conta o interesse público e os direitos das pessoas que utilizam e se relacionam com aquele espaço.

A rápida adesão de um grande número de parlamentares de diferentes partidos e posições políticas à proposta de plebiscito evidenciou a força e a proporção que a manifestação em defesa de um processo democrático na reforma e na gestão do Maracanã alcançou. Todos os parlamentares presentes na tentativa de realização da audiência pública se manifestaram de forma veemente pelo cancelamento do evento e entraram em conjunto com uma representação junto ao Ministério Público pedindo a anulação de seu registro.

O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas reafirma que não reconhece o evento da última quinta-feira (8) como uma audiência pública e apoia a realização de um plebiscito como forma de abrir verdadeiramente o debate sobre qual a natureza da gestão e do uso que o Estádio do Maracanã e as instalações de seu entorno devem ter. Por ser esta iniciativa uma resposta do Legislativo aos questionamentos feitos pelos movimentos da sociedade civil contra a entrega do Maracanã, afirmamos que estes movimentos estarão atentos a este processo, cobrando dos parlamentares a celeridade e o compromisso que o caso requer. Atletas, torcedores, professores, pais e alunos, indígenas, usuários do Complexo do Maracanã e cidadãos da cidade do Rio de Janeiro estarão de olho.

Por outro lado, lamentamos profundamente a decisão da presidente do TRF-2, desembargadora Maria Helena Cisne, que cassou as liminares que impediam a derrubada do prédio histórico do antigo Museu do Índio e o despejo dos indígenas que ocupam o espaço da Aldeia Maracanã. Não nos surpreenderá se o governo agir de forma precipitada, arbitrária e truculenta, aproveitando rapidamente a brecha jurídica e ignorando a necessidade de debate e negociação. Alertamos a todos sobre a iminência de uma ação de despejo e demolição no local e convocamos todos os militantes a se solidarizarem à luta dos indígenas participando da vigília que acontece no local e circulando esta informação ao maior número de pessoas.

Rio de Janeiro, 14 de novembro de 2012.

Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro

NOTAPÚBLICA – Não houve audiência pública de concessão do Maracanã

O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas vem a público reiterar que não reconhece como válida a audiência pública sobre a concessão do Maracanã, que estava prevista para acontecer nesta quinta-feira, dia 8 de novembro de 2012. Após entrar no local assinando nomes de personalidades da cultura e do esporte, como “Mario Filho”, “Friedenreich”, “Celio de Barros”, “Julio Delamare”, “Darcy Ribeiro”, entre outros, mais de 500 pessoas manifestaram de forma unânime o não-reconhecimento daquele espaço e reivindicaram por cerca de duas horas o cancelamento do evento e a realização de uma nova audiência para discutir se o modelo de gestão a ser adotado no Maracanã será público ou privado.

O governo ignorou as demandas de todos os grupos ali representados e resolveu tentar dar prosseguimento à audiência. O clima que foi gerado inviabilizou a realização de qualquer debate. Há farto material de registro que comprova que não houve possibilidade de efetivação da função da audiência. Em razão disso, todos os parlamentares presentes se somaram à solicitação da sociedade civil e defenderam o cancelamento da audiência. Ainda assim, em atitude vexatória e constrangedora, o governo insistiu nas tentativas de falsear uma ocorrência normal de audiência.

O instrumento da audiência pública é uma conquista da sociedade e deveria respeitar sua função original: a escuta das demandas da sociedade e a incorporação destas demandas nos projetos do governo, com a abertura de processos participativos e democráticos de negociação. Se a intenção do Governo do Estado ontem fosse ouvir a população, entenderia que a sociedade civil não aceita que se dê a concessão do Maracanã sem que antes haja um debate sobre se a sua gestão continuará pública ou se ela será privatizada via concessão.

A posição do governo de homologar o espaço de ontem como uma audiência pública evidencia a posição arbitrária com que o processo de reconstrução do Maracanã tem sido implementado. Evidencia ainda o cinismo com que Governo do Estado do Rio de Janeiro encara os instrumentos de participação popular, desvirtuando-os em sua essência e realizando-os por pura obrigação legal. Como previmos, a “audiência” foi uma farsa.

Lamentamos profundamente a fala e o posicionamento do secretário estadual da Casa Civil, Sr. Régis Fichtner, que atribuiu a manifestação a uma “minoria”. Aqueles que lotaram o galpão ontem e se uniram em torno da mesma causa são pais de alunos, professores, atletas, torcedores, indígenas, parlamentares, usuários das instalações do complexo do Maracanã e cidadãos comuns que refletem uma vontade popular. Todos, juntos, indignados com a entrega de um patrimônio público – que serve à população e recebeu altos investimentos públicos – para um grupo empresarial que transformaria equipamentos que estão em pleno uso em estacionamentos e shoppings e, ao fim de 35 anos, não pagaria por isso nem mesmo os juros dos financiamentos feitos pelo Estado.

Nós cobramos respeito à democracia e exigimos que o registro de ocorrência de audiência no dia 08 de novembro seja cancelado e que uma nova audiência seja convocada para debater se a gestão do Complexo do Maracanã continuará pública ou se ela será privatizada via concessão.

Rio de Janeiro, 9 de novembro de 2012

Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro

Debate público sobre o Maracanã pretende questionar os rumos do estádio a dois anos da Copa

O carioca já sabe que o Maracanã como ele conhece não existe mais, mas a falta de discussão pública sobre o estádio que está sendo construído tem mobilizado torcedores de todos os times. Por isso representantes da campanha O Maraca é Nosso! estarão nesta sexta-feira, 29/6, no debate “O Maracanã e sua função sociocultural esportiva em meio a possibilidade de privatização”, no Auditório da Câmara Municipal dos Vereadores do Rio de Janeiro, às 14h. O grupo quer, além de impedir a concessão do novo estádio para a iniciativa privada, a garantia de setores populares e o respeito à forma de torcer do brasileiro.

Na mesa estarão presentes João Hermínio, da Frente Nacional dos Torcedores, e Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, além do professor e historiador Luiz Antônio Simas, do jornalista esportivo Lúcio de Castro e da vereadora Sônia Rabello. O debate será mediado pelo vereador Eliomar Coelho. Os torcedores prometem comparecer com suas bandeiras e tambores, como foi visto no início do mês de junho em ato público na praia de Ipanema. A manifestação foi marcada por uma caminhada até o edifício do governador Sérgio Cabral, no bairro do Leblon, que acabou levando um cartão vermelho dos manifestantes.

A expulsão simbólica do governador teve como objetivo questionar a relação íntima que Cabral mantém com empresários do Rio de Janeiro. Em abril, a Delta Construções, do empresário Fernando Cavendish, amigo pessoal de Cabral, deixou o consórcio responsável pelas obras do Maracanã após denúncias de envolvimento nos esquemas de corrupção do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal. No mesmo mês, a empresa IMX, de Eike Batista, também amigo do governador, foi a única a apresentar estudo de viabilidade econômica para assumir o controle do estádio. O governador Sérgio Cabral, assim como a secretária estadual de Esportes e Lazer, Márcia Lins, e o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, foram convidados para o debate.

Serviço:

Debate público “O Maracanã e sua função sociocultural esportiva em meio a possibilidade de privatização”

Local: Auditório da Câmara Municipal dos Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia
Data e horário: Sexta-feira, 29 de junho, às 14h


Acompanhe o Facebook – http://www.facebook.com/OMaracaENosso
Conheça os 11 pontos da campanha – http://bit.ly/LoxZrS
Imagens do ato do dia 3 de junho – http://bit.ly/LenpYQ

Protesto questiona a privatização do Maracanã neste domingo em Ipanema

Manifestantes planejam apitaço na porta do edifício do governador Sérgio Cabral, no Leblon

Em meio a escândalos sobre a íntima relação que mantém com empresários do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral terá que enfrentar mais um problema: a mobilização de torcedores contra a privatização do Maracanã. Um protesto marcado para este domingo (3/6), no posto 9 de Ipanema às 14h, promete atrair centenas de pessoas que querem, além de impedir a concessão para a iniciativa privada, a garantia de setores populares no estádio e o respeito à forma de torcer do brasileiro. Os torcedores prometem fazer barulho em frente à casa de Cabral, na Av. Delfim Moreira, no Leblon, ao mesmo tempo que a Seleção Brasileira enfrenta o México em Dallas, nos EUA.

O protesto é organizado pela campanha ‘O Maraca é Nosso!’, que reúne torcedores de vários times. “Vamos levar uma faixa de cada um dos quatro grandes clubes do Rio, simbolizando a união de todas as torcidas por um Maracanã público”, diz João Hermínio Marques, da Frente Nacional dos Torcedores, um dos grupos que integra a campanha. “É inaceitável que o Estado arque com as despesas e depois entregue o estádio, que é um bem de todos, para a exploração lucrativa de grupos financiadores de campanhas políticas”, disse o torcedor.

Ligações perigosas

Em abril, a Delta Construções, do empresário Fernando Cavendish, amigo pessoal de Cabral, deixou o consórcio responsável pelas obras após denúncias de envolvimento nos esquemas de corrupção do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal. No mesmo mês, a empresa IMX, de Eike Batista, foi a única a apresentar estudo de viabilidade econômica para assumir o controle do estádio. Dados do TRE confirmam que Eike Batista doou 750 mil à campanha de Sergio Cabral ao governo do estado, em 2010; segundo o jornal Folha de S. Paulo, o empresário anunciou ainda a doação de cerca de 139 milhões a projetos de interesse de Cabral.

Os manifestantes acusam governantes de mau uso do dinheiro público. Em 1999 foram gastos o equivalente a R$ 237 milhões na reforma para o Mundial de Clubes da FIFA; para o Pan de 2007, com a promessa de deixar o estádio pronto pra Copa, foram mais R$ 397 milhões. “Botar o estádio abaixo e gastar mais de R$ 1 bilhão na reconstrução é o mesmo que jogar nosso dinheiro no lixo”, afirma Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, lembrando que nos últimos oito anos o estádio esteve mais tempo parado do que em atividade. Matéria recente da Folha revelou que o Maracanã ainda terá que passar por uma reforma após a Copa para adaptá-lo às exigências do COI para os jogos olímpicos de 2016.

 A terceira reforma desde 1999. Gastos ultrapassam R$ 1,5 bilhão

1950 X 2014

Segundo Gustavo, as cerca de 203 mil pessoas que viram a final da Copa 1950 representavam o equivalente a 8,5% da população do Rio na época. “Construímos um estádio feito para a população, onde a Geral e a Arquibancada, setores de preço acessível, totalizavam 80% do estádio”, disse o torcedor, atacando o que chamou de “perfil elitista e restritivo” do novo Maracanã e defendendo a inclusão de setores populares no projeto. “Hoje estão construindo um estádio encolhido, para turista, com padrões europeus que inviabilizam a participação popular, a festa das arquibancadas e a nossa forma tradicional de torcer”, concluiu.

João Hermínio caracteriza a reconstrução do Maracanã, que é tombado pelo IPHAN desde 2000, como ‘assassinato cultural’: “O próprio Conselho Consultivo do IPHAN afirmou recentemente que a reforma foi um crime. Ano passado, o governador defendeu a privatização dizendo que o Estado ‘tem de concentrar os esforços naquilo que é importante’. Para nós, o Maraca é um templo sagrado, e nossa identidade cultural é de extrema importância e não tem preço.”

 No novo Maracanã, torcedores usam terno e gravata para assistir aos jogos

AMANHÃ – Reunião da Campanha ‘O Maraca é nosso!’

QUANDO: SÁBADO (5), ÀS 11H

LOCAL: OCUPAÇÃO MANOEL CONGO – RUA ALCINDO GUANABARA, 20, 2o. ANDAR – CINELÂNDIA, CENTRO

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Proposta de Pauta

1 – Ação de panfletagem na finalíssima do Carioca

2 – Definição do texto do manifesto e do Panfleto

3 – Informes gerais

Campanha – O Maraca é nosso!

As 11 posições do Comitê Rio para Campanha Unificada sobre o Maracanã 

1 - Mau uso do dinheiro público: De 1999 a 2006, foram gastos cerca de 400 milhões de reais em reformas que prometiam deixar o Maraca pronto para a Copa de 2014. Agora decidem colocar tudo abaixo e construir um novo estádio por mais de 1 bilhão ( !!! ) , via BNDES.

2 - Privatização do Maracanã: Após as centenas de milhões das reformas, e o bilhão da reconstrução, não faz sentido um patrimônio público, de todos os cariocas, ser repassado para a iniciativa privada (Eike Batista!!), que não investiu no estádio mas está a postos para embolsar o lucro gerado por ele. O Maraca é da população e não pode ser vendido!

3 - Elitização do Maracanã: A geral, espaço tradicional de participação popular, com ingressos a preços acessíveis, já havia sido extinta. Está cada vez mais caro frequentar e assistir futebol ao vivo, o que tem afastado boa parte da população dos estádios e enriquecido as empresas de TV a cabo. Exigimos preços populares!

4 - “Europeização” do Maracanã: Sem a geral, morrem as manifestações populares bem-humoradas. Agora, botam abaixo também as arquibancadas, espaço coletivo de criação, para a construção de um Maracanã apenas com camarotes, currais “VIPs”, cadeiras numeradas e lugares marcados, inviabilizando nossas formas tradicionais de torcer, com mobilidade e liberdade dentro do estádio, coreografias, intrumentos musicais, bandeiras… Queremos respeito à nossa cultura de torcedor e exigimos a inclusão de setores populares no projeto do novo estádio!

5 - “Encolhimento” do Maracanã: Recentemente, mais de 100 mil pessoas assistiam ao jogo com segurança no estádio. Com cadeirinhas acolchoadas e lugares marcados, cai pela metade a capacidade, aumenta o preço do ingresso, e menos pessoas podem ver o jogo. Pra ver seu time, o geraldino hoje é obrigado a se espremer no boteco da esquina!

6 - Descaracterização arquitetônica do Maracanã: O estádio, que era um patrimônio histórico e cultural tombado, passou a ser um patrimônio demolido, às vistas de todos, com as bençãos do IPHAN. Sua arquitetura foi completamente descaracterizada, e a ideia é erguer uma “arena” asséptica e metida a besta. O Maracanã não pode virar shopping center!

7 - Remoção de famílias do entorno: Comunidades de baixa renda estão tendo suas casas demolidas para dar lugar a estacionamento gigantescos. Defendemos que o direito das pessoas a uma moradia adequada é um legado mais importante do que vagas para carros!

8 – Falta de Transparência e Participação Popular: Onde estão os laudos técnicos, os estudos de impacto e as plantas do projeto para o estádio? Em que mesa se decidiu a demolição da bancada e da marquise? Houve audiências públicas? Os torcedores, verdadeiros donos do Maraca, foram consultados? Onde está o balanço financeiro da SUDERJ que comprova que o Maracanã é deficitário?…

9 – Repressão ao comércio informal no entorno do estádio: Esqueça o isopor e a cervejinha antes de entrar no estádio. No “Novo Maracanã”, torcedor não bate-papo na porta do estádio, e trabalhador que tá na batalha toma madeirada no lombo e volta pra casa de mão abanando.

10 – Favorecimento explícito a grupos empresariais: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Delta, Eike Batista… As figurinhas são sempre as mesmas: as mesmas que fornecem jatinhos, helicópteros e outros mimos para o Governador Sérgio Cabral; as mesmas que fecham contratos em todos os estádios da Copa e em outras obras de infra-estrutura; as mesmas que vão ser donas dos camarotes VIPs das “arenas”; as mesmas que financiam as campanhas dos partidos políticos mais ricos…

11 – Más condições de trabalho nas obras: Enquanto as empreiteiras enchem o cofre de dinheiro, os operários das obras do Maraca reivindicam benefícios fundamentais e melhores salários e condições de trabalho. Em 2011, os trabalhadores ficaram pelo menos 24 dias em greve.

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1950, Copa do Mundo: Nasce um estádio popular. Um templo onde brasileiros comuns – avós, pais, filhos, netos – sorriram, cantaram e choraram juntos.